2007/10/20

luc dans le ciel

É com «Luc Dans le Ciel», um acrílico sobre tela de 54x73 cm assinado por Luís F. em 2007, que anuncio a suspensão (talvez mesmo o fim) de L'Avion Rose.
A partir deste momento, as minhas propostas de arte, sempre feitas numa perspectiva gay e às vezes queer, regressam ao Gayfield, o blogue onde começaram. Há uma razão dupla para isso: por um lado porque tenho actualmente menos disponibilidade para manter a regularidade a que vos habituei e, por outro, porque me parece preferível — agora que vivo sob o mesmo tecto que o meu companheiro – reunirmos num mesmo espaço virtual o essencial das nossas participações... Manterei no entanto em paralelo um único blogue público menos conhecido de vós. Nele tenho vindo a apresentar colecções de 10 imagens retiradas de outros blogues, fornecendo o respectivo link para a origem: sob o conceito de arty feed for adult gay people poderão também acompanhar-me no GayFeed, se bem que, nestas coisas, se possa entender ou não como forma de arte o que lá vai estando...
Mas quando comecei L'Avion Rose disse-vos que aqui falaria também da minha arte e não só da dos outros. Como nunca o cheguei a fazer (creio) termino pois com uma amostra do resultado do meu investimento artístico: um retrato que fiz de Luc, o jovem músico que me inspirou por algum tempo (talvez já o conheçam daqui). Abraços a todos e até já!

2007/09/29

martin creed: expresses himself

Martin Creed nasceu em 1968, em Wakefiel (Inglaterra), e o seu trabalho artístico evoluiu com a arte conceptual dos anos 60 e 70. Cresceu em Glasgow e estudou em Londres, na Slade School of Art, de 1986 a 90. Dois anos antes formara uma banda de rock conceptual, os Owada, que só muitos anos depois (em 1997) lançou o seu primeiro disco («Nothing», editado pelo selo Piano, do compositor David Cunningham). Já as obras plásticas começaram a surgir em 1987 e a tomar títulos que mais parecem de composições de música clássica: «Work No. 1» (um opus 1, por assim dizer) e por aí adiante. Talvez a sua obra mais conhecida seja a que exibiu em 2001 por ocasião da mostra do Turner Prize na Tate Gallery, designada «Work No. 227», um trabalho minimalista concebido com jogos de luz numa sala vazia. Martin disse um dia para uma rara entrevista destinada ao livro «Art Now»: "The only thing I feel like I know is that I want to make things. Other than that, I feel like I don’t know. So the problem is in trying to make something without knowing what I want. (...) I think it’s all to do with wanting to communicate. I mean, I think I want to make things because I want to communicate with people, because I want to be loved, because I want to express myself". Express yourself, pois então!

2007/08/17

ícaro doria: bandeiras ao vento

Ícaro Doria é um brasileiro de 25 anos que tem produzido obra gráfica e de opinião para a revista portuguesa Grande Reportagem. Com Andrea Vallenti, Luís Silva Dias, Duarte Pinheiro de Melo e João Roque, ele concebeu uma campanha baseada em dados recolhidos nos relatório da Amnistia Internacional e da Organização das Nações Unidas. A equipa olhou para as estatísticas da União Europeia e de mais sete países: Angola, Brasil, Burkina Faso, China, Colômbia, Somália e os Estados Unidos da América (na imagem). As opiniões sobre a guerra no Iraque, a violência contra as mulheres africanas, as desigualdades sociais no Brasil, o tráfico de drogas na Colômbia, a sida e a malária em Angola, ou o consumo e produção de petróleo na Europa foram alguns dos temas abordados. Onde termina a arte dos artistas e começa a reportagem dos repórteres, é muitas vezes difícil de perceber e, neste caso, mais ainda. Mesmo assim, há aqui uma clara intenção de criatividade e de intervenção social, política e económica. E é caso para admirar, ou não é?!...

2007/08/08

de londres para o porto: alexander taylor

Há um mês estivemos em Londres. Antes e depois tivemos que lidar com uma desejada e inesperada mudança de casa. Não se espantem, portanto, que na nossa ausência o espírito do LAR sempre tenha estado presente. Num desses dias de Londres, à passagem pelo West End, entrámos no Liberty. Lá dentro ficámos encantados sobretudo com um cabide para roupa que na indecisão deixámos para trás, mas que jamais esquecemos. Esse acessório de mobiliário é do designer Alexander Taylor (1975), estabelecido por conta própria em 2002 e que tem vindo a ser distinguido e premiado internacionalmente. Ele tem já, até, uma peça na colecção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Mas também o objecto da nossa admiração é especial e tão simples quanto a função a que se destina: «Antlers» inspira-se nas galhadas dos cervídeos, é feito em arame de aço de 8mm revestido a plástico branco (existe ainda em vermelho, azul, preto, amarelo ou em edição limitada cromada) e mede 55cm de largura por 53cm de altura e 18cm de fundo. Fixa-se à parede por parafusos. Deverá sair de Londres nos próximos dias e passar a fazer parte da nossa colecção privada permanente. Vejam-no já aqui.

2007/07/02

jay diers no anonimato de um motel

Às vezes quase nos sentimos mal pela quantidade de imagens de jovens que passam aqui (mesmo as clássicas, como o recente «S. João Baptista» de Caravaggio). Mas a juventude é de facto uma fonte inesgotável de beleza e, por mais que se goste de homens com algum músculo ou com qualquer outro atributo menos habitual nos juvenis, a juventude volta sempre e manda "para canto" qualquer um que já não a tem. Jay Diers é um fotógrafo norte-americano que sabe isso e usa-o. O chame da juventude está nas fotografias que nos apresenta. É isso que lhe interessa, é isso que o seduz, é isso que nos seduz. Mas não só, pois há nas suas imagens belos tratos de detalhe que fazem com que dele fique bem mais do que a simples imagem de um bom apreciador: ele é também um bom intérprete e um bom criador. Estes três são estágios diferentes que só um bom fotógrafo consegue alcançar em pleno. É o caso! Mais, de ânimo leve muitos pensariam que se defendia aqui o trabalho de um simples amador de rapazes e de fotografia, mas nesta ele é mesmo um profissional: fez imagem para a revistas Blue (da Austrália), Manner (da Alemanha) e, desde há pouco, para a Playgirl (esta pode dizer-se universal). Nas lojas da internet (essas normais e universais também) pode encontrar-se ainda Jay Diers em livro: «Visions» e «Raw Youth» são já seguidos por «A Night at The Motel», a nova edição que vem mostrar obra recente inspirada nas primeiras práticas sexuais fora de casa, no anonimato próprio de um motel.